segunda-feira, 13 de junho de 2011

A misericórdia graciosa de Deus

Socorre-me, Senhor, Deus meu! Salva-me segundo a tua misericórdia.
(Salmo 109. 26)



O Salmo 109 é um pedido para que Deus livre Davi das perseguições dos seus inimigos. Entretanto o versículo acima retrata o pedido desesperado pela misericórdia divina. O vocábulo misericórdia em hebraico é hesed, e normalmente é traduzido por “amor”, “bondade”, “benevolência” ou “misericórdia”. Hesed é freqüentemente associado à Aliança (Êxodo 20.6; 34.6). A própria Aliança é chamada hesed (Is 55.3). O hesed do Senhor dura para sempre (Is 54.8; 55.3; Jr 33.11; Mq 7.20). Outra possibilidade do vocábulo “misericórdia” em hebraico ser também representado pelo vocábulo Rahamim, cuja raiz é rhm, e tem o significado de: útero. Rahamim pode ser traduzida como “vísceras”, “entranhas”, “sentimento de amor”, “compaixão”, “misericórdia”. Em grego o vocábulo miseri + córdia, literalmente significa coração sofredor.
Em muitas ocasiões estamos com o coração dilacerado pela dor e sofrimento que nos faz tanto mal. Não encontramos em nada e em ninguém alivio ou consolo capaz de atenuar nossa tristeza. Somente alguém que conheça muito bem o coração humano é capaz de mudar tais questões em nossa vida.
Deus em seu ato criador determinou a si mesmo que Ele é o grande conhecedor da vida humana e por isso, tem a capacidade de saber melhor que nós mesmos o que somos e sentimos. Nele encontramos a misericórdia suprema e indefinível em termos humanos. O pedido do rei Davi, é ao mesmo tempo um pedido de socorro e lamento por tudo que ele passa naquele momento.
O mesmo vale para todos nós quando estamos perdidos em meio à tempestade de sofrimento. Podemos clamar ao Senhor, pois, ele é misericordioso e amoroso. Quando desesperados pedimos a misericórdia do Senhor estamos pedindo que ele seja solidário e sofra conosco. Porém, muitos de nós desconhecemos que em Jesus Cristo ele levou às últimas conseqüências seu amor e misericórdia.
Quando Ele se move em direção à petição ele não apenas ouve, perdoa, graciosamente nossas faltas e pecados e imediatamente nos abençoa.

 Shalom.

Rev. Jorge Wagner

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O amor de Deus nos atrai

“Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor...” Oséias 11. 4a

            As atribulações da vida cotidiana quantas vezes faz-nos sentir abandonados à própria sorte. É como se estivéssemos sozinhos no mundo, isto, ninguém mais a nossa volta, somente nós e nossa “má sorte”. É claro que o mundo continua cheio de gente e que não estamos sós, mas experimentamos as agruras do abandono.
            O texto do profeta Oséias trás uma linguagem de amor diferente, pois, é ao mesmo tempo paternal e maternal. Deus é pai, mas também é mãe que cuida com ternura seus filhos e suas filhas. Não descuida, não esquece e não se afasta jamais. Ele é presente mesmo quando não percebemos sua presença.
            O cuidado de Deus cura, exorta, determina, anima, dá esperança sem descuidar de nada. Significa que seu cuidado é completo e dinâmico, nem sempre se apresenta da mesma forma.
            O versículo acima, diz que Deus atraía seus filhos com cordas humanas, mas com laços de amor. O amor referido é o amor divino com que Deus trata-nos.
            Certa ocasião quando eu tinha uns 8 anos de idade, minha mãe pediu que eu fosse à padaria comprar uma quantidade significativa de pão para revender em sua venda (Secos e Molhados). Quando cheguei a frete do estabelecimento panificador, percebi que havia perdido o dinheiro. Sentei no meio fio da calçada e desconsoladamente chorava. Um senhor aparentando uns setenta anos, bem vestido, sentou ao meu lado e perguntou por que eu chorava tanto, explique o que acontecera. Ele olhou-me e disse: Isso não é problema. Deu-me a quantia igual a que minha me deu e pude comprar o pão e levar para o pequeno armazém.
            Moral da história: se um desconhecido ouviu a queixa, o pranto de uma criança, Deus pode muito mais que um humano. Seu amor vai além de nossa imaginação, transpõe todos os obstáculos, remove os empecilhos, e cuida conforme a necessidade de cada um.
            As atitudes de Deus são sempre benéficas e amorosas, mas é preciso a contrapartida:  amá-lo com amor sincero e confiar em sua ação.

Oração: Bendito Deus, Pai amoroso que cuida de nós, permite-nos aceitar tuas decisões. Que possamos confiar em Tua sabedoria, e descansar em ti. Ajuda-nos ouvir tua voz ao invés de escutarmos apenas a nós mesmos. Em nome de Jesus, Amém.

domingo, 8 de maio de 2011

Ser mãe é padecer no Paraíso

Eis que conceberas e darás a luz um filho, a que chamarás pelo nome de Jesus” Lucas 1. 31

            Lembro-me minha amada mãe, já falecida, que  dizia-nos constantemente: “Ser mãe é padecer no paraíso”. Sua consideração certamente tinha suas motivações, mas com certeza ela sabia da importância de sua vida a todos nós.
            Comemorar o Dia das Mães de certa forma caiu no lugar comum. Sim, no lugar comum, porque a lembrança do dia na maioria das vezes não corresponde a realidade cotidiana. Alguém já falou que só damos importância quando não temos mais quem amamos. Pela disponibilidade não percebemos a inteireza da importância de uma vida dedicada a outras pessoas, muita vez em detrimento de sua própria existência.
            Ser mãe poder ser considerado um ministério, um sacerdócio de sacrifício e dedicação exclusiva ao bem-estar de filhos e filhas. Servindo com amor e alegria, sem medir esforços, estão sempre disponíveis. É algo difícil de explicar e entender, somente a vivência com mulher-mãe pode dar-nos a idéia de sua vocação divina. Maria ao receber a notícia que iria ser mãe de um menino tão importante à humanidade, certamente não fazia idéia do que seria a maternidade até que experimentasse por si própria.
            Na minha infância eu não conseguia entender o que minha amada mãe queria dizer com aquela frase. Somente muitos anos depois, comecei a perceber a importância de seu ditado. Ser mãe é verdadeiramente padecer no paraíso. Quantas noites de sono são perdidas na vigília noturna cuidando da prole. Outras tantas vezes sofrendo a espera de um filho ou filha que sai e custa a voltar ao lar. Quantas lágrimas derramadas ao ver decisões importantes serem tomadas de forma banal... e ela ali, firme, orando, perseverando pedindo o melhor não para si mesma, mas, para filhos, filhas que na maioria das vezes não entendem sua preocupação dizendo ser excessiva.
            Mãe é heroína não reconhecida no quotidiano. Dia das mães é festa, mas quase sempre é ela própria quem prepara. O dia delas está nas mídias por questão de comércio, para vender mais produtos, quando na verdade basta amá-las de verdade, um abraço, beijo e muito carinho é o suficiente. Mas isso tem que ser todos os dias.
            A todas as mães nossa humilde homenagem. Deus abençoou Maria por carregar no ventre o Salvador da humanidade. Pedimos ao bom Senhor que abençoe nossas mães porque nos carregaram no ventre e nos carrengam na vida sempre nos dando a mão carinhosamente, sem exigir nada em troca, apenas nos amando.

Shalom.

Rev. Jorge Wagner

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Abatidos, porém, nunca vencidos

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a Ele, meu auxilio e Deus meu”. Salmo 43. 5 – Ler o Salmo 43. 1-5.

            Parece que estar aflito, tristonho, sem desesperança ou sem rumo na vida é pecado mortal. Quando as coisas ruins ou negativas acontecem as pessoas que estão a nossa volta querem que tenhamos alegria desmedida pois somos filhos de Deus e não podemos nos encontrar em situações como  estas. Será que ser humano é pecado?
            Nossa preocupação básica nesta reflexão é mostrar que Deus está conosco sempre. Mesmo quando nos encontramos sem perspectiva de vida. É exatamente neste contexto e momento que Ele age nos sustentando em nossas fraquezas humanas.
            O texto mostra que o salmista tem consciência de suas limitações, mas espera em Deus mudanças significativas. Ele se dá o direito de ser simplesmente humano, sem esquecer que Deus age. Sua tristeza não contamina sua consciência de ser criação divina, por isso, pode esperar que o criador mude tudo para melhor.
            Na verdade Deus é tolerante com as fraquezas humanas de modo que Ele revela sempre sua graça na vida das pessoas que o buscam. Ele não nega ajuda, nem se afasta de quem passa por momentos difíceis na sua existência. Ele é longânimo e misericordioso para com todas as pessoas.
            Devemos fazer como o salmista, não desanimar frente aos desafios que a vida nos impõe todos os dias. Esperar em Deus é sabedoria que vem do alto. É perseverar contra as advercidades. Afinal de constas, quando estamos em Deus, podemos ficar abatidos, porém, nunca vencidos.

Se a vida as vagas (vago, ausência)
Procelosas (tempestade) são,
Se com desalento
Julg s tudo vão,
Lembra as muitas bênçãos,
Dize duma vez,
Por verás surpreso
Quanto Deus já fez.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A ressurreição é vida abundante


“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei...” (Mateus 11. 28 - Ler de 28-30)

“Ele não está aqui; ressuscitou...” (Mateus 28. 6a).

            A aflição dos discípulos era mais que evidente. A tristeza, o desânimo a incerteza tomaram conta da vida destas pessoas que acompanharam o mestre durante um bom tempo. Mas, está proximidade não foi suficiente para dar certeza daquilo que Ele havia dito em várias ocasiões. Mas com certeza, muita gente lembrava o seu chamado ao consolo e ao alívio das dores, tristezas, incertezas, aflições etc.
            O que tem a ver o texto de sua ressurreição com o chamado? Certamente, há dúvida sobre a correspondência entre um e outro, no entanto, devemos perceber que em um momento as pessoas recebem as Boas Novas e em outro ficam com as dúvidas. Lembrar de sua ressurreição é não deixa cair no esquecimento sua profunda compaixão pela vida humana.
            Ele assumiu compromisso e lealdade para com a vida, Ele mesmo disse certa vez: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Certamente seu jugo que é suave adquire contornos amorosos capazes de transformar o que é mau ou ruim em coisas boas.
            Seu chamado é inevitavelmente para todos sem distinção. Qualquer pessoa que se encaixe na descrição de Mateus 11.28-30, é considerada importante a tal ponto de não delimitar sua ação, esta é para todas as pessoas. Mulheres, homens, jovens, velhos e crianças fazem parte deste grupo chamado a experimentar o jugo suave.
            Em sua ressurreição reafirma sua disposição para servir e não ser servido. Para dar vida sem medir esforços. Para reafirmar a Boa Nova do Reino de Deus: Salvação a todas as pessoas que N’Ele crerem. A contra partida que o ser humano deve é simples: crer e ser submisso a sua vontade.
            Sua ressurreição é nossa garantia de vencer os obstáculos que nos rodeiam. Por isso:

Celebrai a Cristo, celebrai
Celebrai a Cristo, celebrai
Ressuscitou, ressuscitou
Ele vive para sempre
Vamos celebrar, Rei
Vamos celebrar, Ooo
Vamos celebrar ressuscitou meu Senhor
CELEBRAI

FELIZ PÁSCOA

Rev. Jorge Wagner

terça-feira, 19 de abril de 2011

O amor é fruto de um coração entregue a Deus


“Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós. Desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos...” Colossenses 1. 3-4

Estamos convencidos de que amamos de fato nosso irmão ou irmã. Cremos que este amor demanda ações concretas tanto para nossa vida quanto para a vida da igreja. Deus quer uma Igreja que esteja dentro dos parâmetros cristãos determinados por Jesus Cristo e isso significa amar o próximo como Cristo nos amou.

A capacidade do amor do ser humano para com o ser humano só é visível por meio da solidariedade ativa tanto na alegria como no sofrimento. Não há outro caminho que possa mostrar nosso sentimento amoroso para com outrem. Diz o Novo Testamento: “Novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”.    Jo 13. 34-35
 
            No Antigo Testamento no livro de Levíticos 19. 18 – Temos a seguinte afirmativa“... mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR”.  Este antigo mandamento sobre o amor vai ser colocado por Jesus de uma forma mais personalizada:  pois o novo mandamento determina que nos amemos como Ele  nos Amou. O que significa uma entrega sacrifical de nossa vida por alguém.

O amor fraternal deve ser entendido como diferente do sentimento de preferência ou de simpatia. “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos”.  1 João 3.16.     A menção do termo nisto, especifica o tipo e a qualidade do amor que Jesus Cristo deseja que seja praticado entre nós. É o Amor de entrega, sacrifício e dedicação. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.Jo 3.16
  
            Fica claro que o amor de Deus não é poético, nem filosófico. Amar é atitude prática. Em  João 15.35: também percebemos que a principal característica que nos identifica como discípulos de Jesus no mundo, é o amor que temos uns pelos outros.

As conseqüências da falta de amor fraternal são agravantes negativos das relações humanas. O amor não se origina em nossas vidas como conseqüência de reflexões poéticas ou esforço humano. O Espírito Santo está em nós para comunicar a vida de Cristo e com isso nos capacitar para amar. ”Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos.”. 1 João 2. 11. O amor fraternal não limita uma fronteira, inicia nela e se encaminha em direção a todas as pessoas que nos cercam ou outras que necessitem de amor e cuidado.

Por outro lado, as características do amor são positivas e influentes na vida. O verdadeiro amor é fruto de um coração sincero e purificado – “O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem”. Romanos 12. 9. Se o nosso coração não estiver limpo das mágoas , das tristezas, do espírito de revanche e de tantas outras coisas ruins, o Espírito Santo não fluirá. Neste caso praticamos o amor fingido, uma prática sem vida e realidade.

            O verdadeiro amor é longânimo e perseverante “O amor... tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.  I Co 13. 7. O amor de Deus não é intolerante, que se dissipa facilmente nos momentos de tensões e adversidades. O verdadeiro amor deve zelar pela aliança fraternal e unidade.

O amor não se origina em nossas vidas como conseqüência de reflexões poéticas ou apenas do esforço humano, deve ser a conjugação do amor que Deus inculca em nós e do nosso esforço para mantê-lo atuante. O espírito Santo está em nós para comunicar a vida de Cristo e com isso nos capacita a amar.

O amor aos nossos irmãos prova nossa permanência em Cristo. É o teste que demonstra se estamos na vida do Senhor ou em trevas. O contrário do amor não é necessariamente o ódio, mas o egoísmo que leva ao individualismo. Por isso devemos tomar cuidado como entendemos o significado do amor e o que fazemos com ele.O egoísmo se manifesta por um cuidado excessivo por si mesmo e desinteresse pelos demais.  Quando todo o interesse e esforço de uma pessoa convergem para ela mesma, acaba gerando egocentrismo e egoísmo. Deus não nos mede somente pelas ações exteriores, nem pela operação de nossos dons. Ele avalia a intensidade de esforço e sacrifícios dedicados aos nossos irmãos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Na tempestade a bênção de Deus


“Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto” Salmo 67. 1

            Acreditamos que são normais termos dias sombrios, nublados, com chuva e termos aqueles em que o Sol astro-rei ilumina a vida. Entretanto, estes dias ensolarados muitas vezes passam despercebidos. Mas... Os dias nublados ou de tormenta forte, deixam marcas profundas em nossa vida. Por outro lado, a gente lembra muito mais destes do que daqueles em que o Sol nos agracia com a abundância de sua luz e calor.
            Qual a utilidade dos tempos difíceis em nossa vida? Para muitas pessoas não há utilidade alguma, para outras tantas, tanto faz, mas, também crêem na inutilidade do sofrimento. Para algumas poucas pessoas, o entendimento do por que do sofrimento se evidencia principalmente porque nos obriga a buscar mais a presença de Deus em nossa vida.
            Nas dificuldades somos testados em nossos limites. Sim é verdade, mas também somos testados em nossa fé. Ter fé nos momentos de alegria, em que tudo dá certo, nos dias ensolarados é fácil, difícil é manter o foco, quando tudo está nublado, chuvoso e com grande tempestade.
            Por isso, se você está tendo tempos mui difíceis, não desanime a medida de Deus é justa e certa. Não te desampara e nem te abandona. Ele é seu companheiro de caminhada, seu sustento em tempos ruins.
            Que a bênção do Salmo 67, seja um bálsamo em sua vida e te anime constantemente. Ela é a expressão do amor divino revelada em Jesus Cristo. Que Deus te dê a paz.

Rev. Jorge Wagner

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Proteção divina


“Guarda-me como a menina dos olhos, esconde-me À sombra das tuas assa”.
Salmo 17. 8 (Ler 17)

            A solidão lentamente consome a força humana. A solidão de estar afastado de Deus consome a vida. O desespero de quem já não tem forças para continua a caminhada  determina a roda-viva que varre a esperança e mata a determinação e  a vontade para continuar vivendo.
            A distância que separa o ser humano de Deus é visível ao ponto mostrá-lo amargo. Há um grande vazio existencial. As pessoas estão cada vez mais determinadas a encontrar Deus que parece cada dia mais distante. Não que Ele não queria estar perto da criação que geme e morre sem perceber que ela própria afasta-se voluntariamente do criador.
            Então não resta mais nada que se possa fazer? É claro que ainda há possibilidade de mudanças. O Salmo 17 começa com um pedido de que Deus ouça o clamor e o pedido de oração. O sofrimento pelo afastar-se do caminho sábio do Pai Eterno é destrutivo. O salmista tem certeza de que não saiu do raio de ação de Deus, permaneceu fiel. Por isso tem o direito de pedir a guarda divina.
            A menina dos olhos tem sentido de quem pode ver e enxergar de maneira distinta as coisas da vida. Há um grande desafio – entender as coisas vindas da parte de Deus e praticá-las. Tentar como diz o salmista ser semelhante ao Criador. Portanto, precisamos urgentemente voltar à presença do Pai para poder se esconder à sombra de suas assas.

Rev. Jorge Wagner

domingo, 3 de abril de 2011

Quem sou eu? Quem é meu próximo?


“Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e, Amarás o teu próximo como a ti mesmo” Lucas 10. 27


            Certa ocasião um respeitado senhor dirigia-se a Escola Dominical, passando por um homem de roupas rasgadas e sujas, olhou atentamente e pensou com “seus botões”: É terrível um homem jovem de manhã jogado, esparramado na calçada num domingo de manhã, poderia estar como eu indo para a Escola Dominical, afinal ele está a menos de trinta metros da igreja. Além de tudo ainda atrapalha o cruzamento.
            Uma mulher aparentando uns trinta anos também cruza por aquela figura indiscreta atravessada pelo meio do caminho, estava lembrando-se do último sermão do pastor de sua igreja, que falara sobre a parábola do Bom Samaritano, quando quase tropeçou nas pernas do impertinente abusado que atrapalhava o transito.
            De modo semelhante passava por aquele local um homem, de roupas bastante surradas, pessoa inquieta, não pertencente a nenhuma igreja, mas que havia sido convidado para naquela manhã participar da Escola Dominical. Deparando-se com o homem deitado na calçada, abaixou-se olhando seu rosto e perguntou-lhe: você está bem? Com muita dificuldade o homem respondeu não!
            Contou que na noite anterior havia sido assaltado e espancado. Apanhou tanto que suas roupas foram rasgadas e sem ninguém para socorrê-lo acabou desmaiando e pela manhã sem conseguir levantar-se com muitas dores no corpo ficou a mercê de alguém que pudesse ajudá-lo...
            A história fictícia lembra-nos da Parábola contada por Jesus. Ouvimos sermões, discutimos grandes temas em nossas Escolas Dominicais. Questões de grande relevância, porém, nem sempre práticas. O benefício do sermão e das lições de nossas ED’s é tornar prática as ações contadas, ensinos que a igreja proporciona a cada um de nós.
            Quem das três personagens do texto fictício se pareceu mais com o bom samaritano? A moral da história é que ninguém pode crer que é tão importante que possa ignorar alguma pessoa por causa de sua aparência, por seu credo, sua cor ou raça. Nossa missão é servir a Deus sendo instrumento de seu reino em nosso meio.
            Amar a Deus só se concretiza quando amamos nosso próximo. É no olhar de nosso próximo que nos descobrimos como cidadão/ã do Reino de Deus. E nosso próximo é quem está perto de nós.

Rev. Jorge Wagner

segunda-feira, 28 de março de 2011

De volta a casa, seremos mais felizes


“Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai...” (Lc 15. 18a) [Ler 15. 11-23]

            Os psicólogos dizem que uma das emoções mais fortes, que como impacto fere as pessoas, é o sentimento de vergonha ante o mal feito: falta moral, ruína de caráter, pecado, queda, degradação, desmoralização da vida, palavras ditas de maneira errada etc. Mesmo as pessoas mais faltosas se punem.
            Eis que no contexto de um  filho, cercado de porcos, e faminto, sentiu vergonha de usar os bens e depauperá-los, sua condição de ignorância deixa-o só, sofrendo o peso de seu pecado. Degradado, reduzido a um farrapo humano, sob o castigo que afligiu a si mesmo, obrigando-se colocar em lugar de porcos. Ainda tem uma escolha: querer levantar-se.
            Sua condição é de alguém fracassado, arrasado e abatido, num país longínquo. “Caindo em si...”, significa que estava fora de si. Mesmo estando espiritualmente louco, percebe sua própria degradação e miséria em que se encontrava, vencido, castigado e fustigado pelo pecado: a vontade reage à decadente condição e, lançando um olhar aos porcos de que cuidava, resolve abandonar aquele esterquilínio, prêmio de sua insânia espiritual, e decide voltar ao doce lar paterno.
            Toma uma decisão: sair do erro e da maldade e voltar ao lar da bem-aventurança, certo de que não seria repudiado pela indiferença ou reprovação, mas será bem acolhido pela graça da reintegração do amor.
            Podemos aprender algumas coisas com esta descrição: Sem calamidade, não há coragem; sem dificuldade, não há fibra; sem provação, não há força; sem sofrimento, não há solidariedade; sem cruz, não há coroa; sem Calvário, não há Cristo.
            Grande coisa na vida é transformar adversidade em força de caráter. A história do Filho Pródigo nos revela um aspecto diferente. É possível usar a experiência de um erro, transformando-o num fator positivo para a elevação espiritual.
            Jesus ao contar essa história, fala de possibilidades. Nossos erros, faltas, descuidos, intolerâncias, desrespeitos, medos, e tantas outras coisas que nos maltratam, podem ser colocadas na evidência do Senhor: “Lavantar-me-ei e irei”.
Deus está pronto a nos acolher. Basta termos disposição para nos entregarmos a Ele.

Rev. Jorge  Wagner

segunda-feira, 21 de março de 2011

A Graça de Deus revelada a nossa família

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens”.
Tito 2. 11
            Não importa quem somos, ou o que somos, o amor e a graça de Deus se manifesta gratuita a todas as pessoas. A história de muitas pessoas na Bíblia é complicada. Nossas famílias não são perfeitas, e certamente de quando em quando os problemas tornam-se visíveis, mas, por meio da graça, nós e nossas famílias podemos superar todos os problemas e conflitos e desfrutarmos a bênção, a paz, a graça e o amor do Eterno.  
            E o que Deus quer para que sua ação seja efetivada em nossa vida? Qual é a exigência para desfrutarmos de suas benesses? Certamente existe alguma exigência da parte de Deus, mas não é nado extraordinário, apenas quer que sejamos fies a Ele, que façamos as coisas de acordo com os critérios cristãos que são simples, amar a Deus de todo o coração, de toda vontade e conhecimento, mas, também amar o próximo como a nós mesmo.
            Devemos frutificar nossa vida fazendo para as outras pessoas o que gostaríamos que fizessem a nós. Tratar nossos familiares, com amor, carinho, de forma digna, não apenas fortalece o relacionamento familiar, como aproxima-nos de nossa família. Quando essa prática acontece diminuímos distância que muitas vezes nos separam de nossos próprios familiares. Isso cria uma melhoria generalizada fazendo com que os conflitos sejam aplacados ou mesmo exterminados de nossa família.
            Que o amor de Deus una-nos cada vez aos nossos familiares.

Shalom.

Rev. Jorge Wagner

quinta-feira, 17 de março de 2011

Quando a vida desmorona


“Esperei confiantemente no Senhor;... Tirou-me de um poço de perdição, de um tremadal de lama”. Sl 40. 1-2

A vida nos apresenta algumas fases tão difíceis que ela desmorona diante de nós. É fácil perceber os problemas e dificuldades nos outros, quando estamos dentro do furacão é difícil avaliarmos nossas reais condições diante da brutalidade que sem pedir licença entra em nossa vida e vira tudo de pernas para o ar.
            Os acontecimentos no Japão nos dão uma mostra de que, de uma hora para outra pode acontecer na vida humana. Pessoas que perderam familiares, casa, carro e muitas outras coisas o que torna difícil de avaliar o que de fato aconteceu, somente muito tempo depois olhando com calma e “frieza” o impacto destas coisas, talvez possamos fazer algo. Os acontecimentos na terra do Sol Nascente talvez não nos atinjam por que estão muito distante. Entretanto, muitos de nós experimentamos vez por outra, o abandono das forças que teimam escapar de nossa vida, e, colocam-nos em situação de desespero tão grande que sentimos a vida desmoronar.
            No mundo imperfeito e caótico, as calamidades ainda ocorrem, sejam em grandes proporções que matam milhares de pessoas, ou simplesmente, são devastadoras em nossas próprias vidas. O maior problema é que nem sempre estamos preparados para enfrentar as decepções amorosas, as doenças, as dores de todas as naturezas, por isso vacilamos e sentimos os pés resvalar fazendo-nos perder o equilíbrio. Para qualquer lado que olhamos não há saída possível, não há quem possa nos ajudar a sair da prostração em que nos encontramos.
            O texto do Salmo 40 nos dá certeza que nem tudo está perdido. O Deus criador não nos abandona nunca. Sua ação é tão contundente e concreta que deu seu Filho Amado à morte de cruz para nos salvar e derrama seu Espírito para nos consolar em todo o tempo e lugar. Tira-nos da prostração, abençoa-nos resgatando nossa vida.
            Que a Paz de Deus que excede toda a compreensão vos abençoe e guarde.

Rev. Jorge Wagner

terça-feira, 15 de março de 2011

Família assunto de nossa meditação

           Quando falamos a respeito de família via de regra empregamos alguns conceitos. O Dicionário Aurélio, entre outras, apresenta as seguintes definições de família: - “pessoas aparentadas que vivem, em geral, na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos”;
- “pessoas do mesmo sangue”; - “ascendência, linhagem, estirpe”;
No significado sociológico, temos: “comunidade constituída por um homem e uma mulher, unidos por laço matrimonial, e pelos filos dessa união”.
No entanto, para nós cristãos, ficam algumas indagações: o que é família? Quem faz parte da família? O que queremos para a família?
O Novo Testamento não discute o tema família de uma forma direta, mas encontramos a família presente em vários momentos da história do povo. Jesus em seu ministério, valorizou muito a família. Mas ele não ficou somente na teoria da exaltação de princípios. Ele andou de casa em casa (Mc5. 38; Lc 19. 5), numa clara demonstração de que a família era importante para a nova sociedade por Ele proposta.
      O termo grego oikos (oikos) ocorre cerca de 110 vezes no NT e significa “casa”, a “família”, “pertencentes” (incluindo escravos), “bens”. Na época de Jesus não existia a unidade dentro dos clãs, e as famílias viviam de uma forma individualizada, cada uma cuidando dos seus problemas e atendendo suas necessidades.  A quantidade de repetições mostra a importância da família para o/a cristão/ã.
Jesus, em seu ministério, freqüentou três lugares básicos da sociedade judaica da época: a) a portaera lugar de entrada e saída das cidades e aldeias e, portanto, onde o povo costumava encontrar-se- podemos chamar de vida pública; b) a sinagogalugar de oração, estudos e reuniões do povo – pode-se chamar de oração pública; c) a casalugar onde aconteciam a vida privada e a oração privada.  Destes três centros, a casa foi a mais freqüentada por Jesus e onde ele realizou alguns de seus principais sinais. a) A casa onde era celebrado um casamento – transformou água em vinho (Jo 2. 1-12); b) na casa de Zaqueu, anunciou a salvação e houve conversão (Lc 19. 1-10); c) na casa do chefe da Sinagoga – fez sinal de cura (Mc 2. 13-14).
Para falar de Deus, usou palavras de contexto familiar: a) Quando se dirigiu a Deus, usou a expressão Abba, que era termo usado pelas crianças para chamarem seu pai (papai, papaizinho, cf: Mc 14. 36; Mt 6. 9); b) Para expressar o amor de Deus Pai para com seus filhos e filhas, conta a “parábola do filho pródigo” (Lc 15. 11-32).
Todo este contexto quer mostrar que a família tem grande importância para a vida social. Ela é o ponto de partida para toda a ação que constrói a sociedade.  Por isso Jesus dá uma nova dimensão à família – esta nova dimensão se dá a partir do oikos (casa). A família é uma comunidade no total. Não se trata de uma união qualquer. Esta comunidade (família) deve se assentar em dois princípios fundamentais: vida e amor. Não se trata apenas de pessoas vivendo sobre o mesmo teto. Mas de todos quantos vivem juntos passando a serem sustentáculo e articulação da vida individual e coletiva dos partícipes.
A família que Jesus queria (quer) é aquela que a pesar dos problemas, procura viver conforme os princípios de vida e de amor. Quer seja por laços de parentesco ou por laços de afinidade. Está percepção que o mestre dá para a família, continua válida para nossos dias e deve ser motivo de nossa ocupação diária.

* Pequeno estudo para nossa reflexão
Rev. Jorge Wagner

Bibliografia

GUIMARÃES, Almir Ribeiro. Quando o assunto é família: a perene atualidade do tema da família. Petrópolis, Vozes, 1993.
LAZIE, Josué Adam. Família. Estudos Bíblicos Pastorais, Belo Horizonte, 1999.
Em Marcha. Igreja/família: planejamento, testemunho e missão.São Paulo, Imprensa Metodista, 1998.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Confiar em Deus

"Os que confiam no Senhor são como os montes de Sião, que não se abala, firme para sempre". Salmo 125. 1


Está reflexão é uma singela homenagem a Marília, irma de uma querida amiga, que faleceu na madrugada desta quarta-feira.
A vitória não acontece sem luta. A vida apresenta-nos diversas situações que exigem outro olhar: o do coração.  Às vezes a razão não consegue encontrar saída racional e ficamos perdidos sem saber. É claro que muitas questões requerem a racionalidade para determinar a possibilidade de resolução, mas, nem tudo pode ser colocado nesta perspectiva.
            A relação vida e morte, por exemplo, não pode ser determinada pela racionalidade explícita. Como podemos explicar que a vida se esvai em morte e que tudo acaba nela?
            Certamente toda dor e sofrimento requerem cuidado especial de nossa parte, sejam nossas dores, tristezas, sofrimentos ou de outrem. Para quem quer resolver tudo pela racionalidade fica difícil entender que existe outra saída: Deus. É nele que podemos descansar nosso corpo cansado e transpassado pela dor. Confiar em Seu amor é questão de vida em outra dimensão. Jesus disse certa ocasião: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Por isso devemos confiar nos caminhos do Senhor.
            A marca de quem confia em Deus é a esperança. Pois é Ele quem nos ajuda constantemente e que jamais nos esquece. Que o amor de Deus seja sobre nossas vidas.

Rev. Jorge Wagner
             

terça-feira, 8 de março de 2011

Mulher teu perfume purifica a vida



“Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos; e encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo”. João 12. 3

    Está humilde reflexão é dedicadas as companheiras de luta. Aqueleas que não desistem nunca, apesar do fracasso momentâneo. A todas as mulheres que obstinadamente lutam de maneira simples sem esperar recompesas. 
    O Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8 de março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por “Pão e Paz” – por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada de seu país na Primeira Guerra Mundial. [Wikipédia] No entranto, a idéia não era nova, já vinha desde o início do século XX, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, numa luta desigual com os homens, por melhores condições de vida e trabalho, mas também pelo direito ao voto.
    Qual a importância de ter um dia que marque a presença da mulher na sociedade? Não apenas torná-la visível, mas permanecer em constante estado de luta. Durante muito tempo, essa luta, foi desigual, o que não significa que mulheres e homens estejam em “pé de igualdade” hoje. Foi desigual, por que os antagonistas sistematicamente atacavam a mulher e pocionavam-se radicalmente contra. Mas, ainda em nossos dias, encontram muita resistência às suas conquistas.
    Mulheres como Maria entenderam mais rápido os acontecimentos e pocisionaram-se contra a morte e a favor da vida. Souberam usar os meios disponíveis que tinham para mudar o estado de coisas. As conquista vieram por meio de muita luta e esforço. Hoje os sinais das conquistas conseguidas são evidentes, porém, não suficientas. Há muita coisa a ser conquistada.
    Entretanto, queremos deixar nossa homenagem aos milhões de mulheres anônimas que lutaram e continuam lutando por melhores condições, não apenas para si, mas para as novas gerações. Mulheres de todas as raças, cores, credos e posicionamentos políticos. Mulheres que com mão firme, defendem o direito à vida. Mulheres que resistiram a tirania masculina de vários tipos de poder e com “malandragem”, sagasidade, “jogo de cintura” e com seu infalível perfume (que é a vida) conquistaram corações mudando a face da sociedade. Que a luta continue até a vitória final (no reino de Deus).

Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher.

Rev.  Jorge Wagner de Campos Freitas

segunda-feira, 7 de março de 2011

reflexaosemanal: Nos afastamos de Deus

reflexaosemanal: Nos afastamos de Deus: "'Invoca-me, e responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.' Jeremias 33. 3
Não ouvimos a voz do Senhor, não porque Ele não nos responde, mas porque nos afastamos de sua presença amorosa.
ver mais em http://reflexãosemanl.blogspot.com

Nos afastamos de Deus

"Invoca-me, e responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes." Jeremias 33. 3

Não ouvimos a voz do Senhor, não porque Ele não nos responde, mas porque nos afastamos de sua presença amorosa. Portanto, ser sábio signifia hoje, demandar todo esforço possível para nos mantermos em Sua presença.
Nosso maior pecado é não estarmos atentos a proximidade ou distância do amor do Eterno. A maioria das vezes nos damos conta que estamos distantes de sua ação, porque já não temos paz, saúde ou alegria. Há pouca vontade de atentarmos para nossa relação com o Criador. Não respondemos o seu amor, amando-O e amando nosso irmão e nossa irmã. Quando isso acontece nossa vida torna-se vazia e sem sentido.
A resposta que Deus colocou na boca do profeta nos alerta para que estejamos procurando sistematicamente estarmos em sua presença com ações de graça, adoração e louvor. Quando isso acontecer, então estaremos perto e Ele nos acolherá.

Shalom.

Rev. Jorge Wagner

sábado, 5 de março de 2011

A força do Senhor é nossa alegria

“... ide, comei carnes gordas, tomai bebidas doces e enviai porções aos que não têm nada preparado para si... porque a alegria do Senhor é a vossa força.” Neemias 8. 10.
“... dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e alegria.” At 14. 17b


            Certamente falar de alegria parece ser um tema fácil. No entanto, não o é. A dificuldade está em entendê-la em sua plenitude e na ótica da alegria bíblica. Estar alegre demanda estar interessado na alegria alheia, isto é, não podemos estar alegres se nosso próximo não partilhar também da alegria que nos toma a vida. Quando pensamos em alegria, podemos definir de qual alegria estamos falando: alegria sem sentido, fornecida única e exclusivamente pelo mundo, ou alegria que vem de Deus.

No caso do cristianismo, a alegria brota da proximidade imediata e decisiva do Senhor nosso Deus, para conosco e nossa resposta participando das obras de Deus.

Os textos acima, falam de maneira diferente de um mesmo conteúdo: a alegria. No contexto de Neemias, aparece claramente a Lei, que para alguns poderia ser motivo de tristeza. No entanto, após a leitura feita por Esdras, Neemias afirma categoricamente que a Lei de Deus deve ser alegria de vida. Ela é fonte que emana alegria justa e na medida certa.

            No texto de Atos dos apóstolos, seu contexto mostra os gentios considerando Barnabé como Júpiter e Paulo como Mercúrio. Deuses gregos.  Coisa que Paulo prontamente responde, mostrando um exemplo a respeito de Deus. O que Deus dá ao ser humano, ninguém na terra tem capacidade semelhante ou próxima, somente ele tem poder para tanto.

            No de At dos Apóstolos as palavrasalegrar” e “exultar” de certa forma designam os arrebatamentos de entusiasmo, tumultuosos e em certa medida, frenéticos, que manifestavam os sentimentos de exaltação de um povo voltado para seu Deus ou rei, por ocasião das festas. Mas, alcança forma diferente quando se aplica ao contexto relacional entre Deus e ser humano, mas também, entre Deus, ser humano e outros seres humanos.

            Além disso, trata-se de um verdadeiro ato ritual.  Isaías transporta esta alegria do plano ritual para o escatológico [Do grego eschaton, que significa último. Conforme: GRENZ, Stanley, Dicionário de Teologia. São Paulo, Imprensa da , 2001, p. 48], isto é, os últimos tempos, para os judeus, quando Deus mudará todos os rumos e estabelecer seu reino, ou, no caso cristão, quando no apogeu ou final da história, Jesus Cristo voltar a terra para estabelecer seu reino eterno de justiça.

            A alegria no NT tem um aceno nos Evangelhos quando ela brota cada vez que se torna sensível a proximidade do reino, em todos os pontos culminantes da vida e do ministério de Jesus. Porém, em Atos, também dimensiona a caracterização da comunidade que identificada com Jesus Cristo, torna-se instrumento da ação e da redenção propiciada pelo sofrimento, fortifica a vida dos partícipes da comunidade de fé e do Reino de Deus.

De outro lado, em Atos dos Apóstolos, há alegria similar, mas que a partir da presença do Espírito Santo, dos milagres em nome de Jesus, a pregação aos gentios e sua conversão, consegue congregar não somente as pessoas umas a outras, mas principalmente a vida do redentor. De onde a alegria emana dos corações convertidos e por ocasião do banquete da Ceia do Senhor.

            O texto de Atos versículo 14. 17 - mostra uma situação interessante: Deus dá todas as providências necessárias para a vida, por isso os corações devem se alegrar. Ele jamais falha, é sempre presente e dá vida por seu amor, graça e presença.

            Este é o testemunho dos apóstolos. Mostra a convicção de que Deus está sempre conosco nos alegrando. Não importam as situações ou circunstâncias, ele é conosco. A alegria que dele emana, não é igual a do mundo, mas verdadeira, animadora e esperançosa. Ela caracteriza a comunhão do Corpo de Cristo, onde a alegria de um deve se das demais pessoas. Manifesta-se mutuamente a partir da incessante ação de Deus por meio de sua igreja numa relação entre criador e criatura criada. Desta maneira, todo o progresso na confirma a alegria.

            Não nos esquecemos de pensar a respeito dos momentos tristes, de abatimento ou de angústia. Ao contrário, é nestes momentos que atingimos o caráter supremo da alegria, embora paradoxal (contraditória), o Novo Testamento firma posição clara a respeito da alegria nas aflições. Sejam nos padecimentos de Cristo, seu martírio ou nossas lutas no dia-a-dia, Deus ainda é conosco. Sua alegria é nossa força. Em Cristo somos um povo alegre, pois sabemos a razão de nossa fé, e, a respeito do nosso Salvador.

Rev. Jorge Wagner


segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Igreja cristã e a ética

Este texto serve ainda de referência para discutir a ética no espaço teológico e filosófico. Abordando a questão dos novos movimentos eclesiais e suas práticas. Devemos lembrar que aqui não colocamos nossa impressão como A Verdade, mas como motivação para discutir questões pertinentes à vida das comunidades de fé e encaminhar rumos para a vivência social no espaço eclesial.

Boa leitura. Espero que nos ajudem construir a discussão desta questão.

Shalom!

A Igreja cristã e a ética

            É necessário repensar o sentido da vida eclesial comunitária do seguimento cristão e fazer a autocrítica de seus próprios valores éticos. É imperativo reformular conceitos, implementar novas formas de relações, sem, no entanto, abrir mão e sem sacrificar as questões básicas da fé. Hoje, o cristianismo passa por uma de suas maiores crises, como poucas em sua história. É preciso reforçar o caráter ético da religião de modo geral, e do cristianismo, de modo particular.
Os novos tempos são definidos pelos vários movimentos advindos dos anos setenta, a procura da liberdade em um mundo “ultrapassado”, nefasto e sem esperança, propicia abertura às experiências dos mais diversos matizes. A busca desenfreada pelos conhecimentos espirituais desencadeia um processo de secularização da evangelização cristã. Para efetuar uma maneira particular de evangelizar, a televisão é usada largamente, e vai ao longo desse tempo até os dias de hoje, forjar novas culturas. Segundo Muniz Sodré “Debruçada sobre a derrocada de valores tradicionais (a "onda" juvenil, o peso ideológico dos imigrantes, a expressão pública das minorias etc.) e centrada no messianismo do espetáculo místico, a ‘igreja eletrônica’, ou ainda ‘igreja comercial’, passou a constituir verdadeiros impérios televisivos. Neste contexto, tudo se vende e se compra – da fé à redenção”. [Muniz Sodré. Mídia e religião:A salvação cotada em dóla. rwww.novomilenio.inf.br/idioma/ 20010711.htm. - Acessado em 04 de agosto de 2009].
            Aos poucos a Igreja Eletrônica vai dar espaço à Igreja Midiática. Não é somente o culto transmitido pela televisão, mas também os milagres que vendem ilusões e trazem audiência das massas. Some-se a isso, venda de objetos, CDs, modas evangélicas, etc. As igrejas da era midiática em sua “vitrine” vendem de tudo um pouco, o culto vira show, e, as promessas de Deus, barganha por dinheiro. E para manter tais programas vale de tudo. Brigas com outras emissoras, divisões, poder. O que está em jogo é a manutenção do modelo cultural. Magali do Nascimento Cunha, afirma que “A explosão da cultura gospel dos anos de 1990 imprimiu outro relacionamento dos evangélicos com a mídia e estabeleceu um novo papel para ele no campo religioso evangélico brasileiro”. [CUNHA, Magali do Nascimento. Consumo: novo apelo evangélico em tempos de cultura gospel. In: Estudos de Religião, Ano XVIII, nº, jan./jun. 2004, p.54].
      Este modelo constitui uma nova cultura mais genérica e menos relacional, mais individual e menos social. Está forma de cultura demanda outro formato de organização e de relação entre pessoas. Embora, consiga juntar muita gente num mesmo espaço, não aglutina as relações humanas. Segundo a autora mencionada, “As culturas evangélicas no Brasil, desde seus primórdios no século XIX, assentaram-se sobre as bases da negação das manifestações culturais autóctones e da supervalorização do american way of life e da cultura religiosa anglo-saxão; do autoritarismo, presente no forte clericalismo; da intolerância e do antiecumenismo (...)” [Idem]. Tal forma de tratar o modo de ser da religião para as Igrejas Eletrônicas e Midiáticas tem razão de ser, se visto pelo prisma do que vem de fora sempre é melhor, pois o individualismo, o autoritarismo e principalmente o antiecumenismo, vindo no rastro dos tele evangelistas americanos tais com: Jimmy Swaggart e Rex Humbard, entre outros,  reforçam o status quo e mantém “as rédeas curtas” de modo que mantém as pessoas sem um mínimo de reflexão sobre os acontecimentos.
            Sodré aponta três questões básicas que ajudam a manter o modelo e estrutura nessas igrejas.  a) A lógica mercantil profético-moralista e auto-escatológica; b) articulação da rotina cotidiana dos indivíduos; c) a ideologia que vê na suposta racionalidade comunicacional o “melhor dos mundos” [Muniz Sodré, Idem]. A forma descrita por Sodré ajuda-nos perceber como a cultura da Igreja Midiática consegue manter-se. Na sociedade consumista o modelo eclesial não pode deixar lugar para a reflexão. Via de regra, numa comunidade de fé há troca de informações entre as pessoas que congregam. No cenário descrito – a ação profético-moralista reforça determinadas questões de fundo. Por exemplo, o que é determinado pelo dirigente não pode ser contestado. O “escolhido por Deus é ungido e fala aquilo que Deus quer que seja feito”.
            A segunda questão vital para manter o modelo é a articulação da rotina do indivíduo. Em primeiro lugar é preciso assegurar que o indivíduo seja mesmo individuo, diluído entre uma multidão, de maneira que lhe dê a falsa sensação que ele é parte do todo sem, no entanto, poder articular-se com os demais. Como um apresentador/a qualquer que seja o/a tele-evangelista, missionário, apóstolo ou bispo, isso vale para mulheres apresentadoras, precisa reforçar no tempo disponibilizado por meio de rotinas que midiatizem[1] a vida cotidiana de cada indivíduo de maneira que em todas as “ações” cultuais repitam àquilo que já é conhecido.
            O modelo americano de tele evangelismo “pegou” no Brasil. Pastor Nilson Fanini, R. R.  Soares, Bispo Edir Macedo, entenderam cedo e não deixaram “a chance” escapar. Este grupo investiu pesado e finalmente conseguiu transformar o modelo americano em igreja midiática. Hoje serve de modelo para outras igrejas televisivas promoverem a forma de igreja-empresa utilizando todas as formas possíveis de mídias, de maneira que a “igreja” dê lucro, para o dono e seus associados.
            Deve-se ainda perceber a ideologia que referenda um mundo próprio em que não só a pessoa que participa do culto midiático. Mas, também o telespectador veja um espaço que lhe é apresentado e quê seja próprio do grupo em questão, com linguagem e cultura que identifique quem deste mundo participa. Isso pode ser percebido pela moda, pela música, pelo comportamento. Nas palavras de Sodré: “Na verdade, toda e qualquer experiência subjetiva do sobrenatural ou da transcendência, a que se dê o nome de religião, depende fortemente de práticas mediadoras, que variam do ritual a formas escritas” [Muniz Sodré, Idem]. Neste sentido vale lembrar que os apresentadores que antes eram tele-evangelistas, hoje são um misto de magos, atores, vendedores que em sua prática vendem até mesmo o paraíso aos seduzidos crentes e telespectadores.
Segundo Heinrich A. Fonteles, “Assim, a TV, através de um forte apelo e sedução, proporcionados pelas imagens, tem exercido uma forte presença na vida das pessoas, impondo comportamentos, condutas e hábitos. E, como afirma Marcondes (1988), a TV surge na tentativa de suprir algo que se tem perdido ao longo dos tempos: a alteridade, o diálogo, e o apelo sensorial do próximo”.  [www.mackenzie.br/fileadmin/...Et.../Heinrich _A.Fonteles.pdf  - Acessado em 21 de agosto de 2009]É nesta “brecha” cultural deixada pelas igrejas tradicionais que os programas se estabelecem]. Pois, as pessoas em seu quotidiano não tendo opções de lazer e cultura, optam por programas que lhes dêem algum sentido de participação na vida cultural. Acabam se envolvendo pelo discurso “fácil” que algo ou alguém lhe diz de modo simples o que fazer. Pela simplicidade das coisas, estas pessoas se identificam com a linha de programa que não difere muito, por exemplo, do programa do Silvio Santos, Faustão ou do programa do Gugu
            Dietrich Bonhoeffer nos brinda com uma preciosidade de primeira grandeza: O fenômeno ético é um acontecimento-limite, tanto no que se refere ao conteúdo quanto seu aspecto vivencial. (...) Como experiência – nascida da desintegração concreta de uma comunhão – “[Dietrich Bonhoeffer, Ética. 5ª Ed. São Leopoldo, Sinodal, 2001, p. 147]. A ética no atual contexto da chamada igreja midiática, foi ferido mortalmente, está na UTI, se não houver cuidado dobrado, vai morrer.
            Muitas igrejas históricas têm procurado trilhar o mesmo caminho deste modelo descrito acima. O problema consiste em negar muita vez, sua história, deixando envolver-se por conteúdos não apenas estranho ao seu arraial, mas, negando o que historicamente tem sido sua essência. De modo que, semelhantemente aquelas, ferem do mesmo jeito a ética cristã.

Rev. Jorge Wagner



[1] Entenda-se como a capacidade de intervir como árbitro ou mediador. Significa que tais rotinas são direcionadas para dar rumo à vida de quem participa de maneira direta ou indireta desses programas.