segunda-feira, 13 de junho de 2011

A misericórdia graciosa de Deus

Socorre-me, Senhor, Deus meu! Salva-me segundo a tua misericórdia.
(Salmo 109. 26)



O Salmo 109 é um pedido para que Deus livre Davi das perseguições dos seus inimigos. Entretanto o versículo acima retrata o pedido desesperado pela misericórdia divina. O vocábulo misericórdia em hebraico é hesed, e normalmente é traduzido por “amor”, “bondade”, “benevolência” ou “misericórdia”. Hesed é freqüentemente associado à Aliança (Êxodo 20.6; 34.6). A própria Aliança é chamada hesed (Is 55.3). O hesed do Senhor dura para sempre (Is 54.8; 55.3; Jr 33.11; Mq 7.20). Outra possibilidade do vocábulo “misericórdia” em hebraico ser também representado pelo vocábulo Rahamim, cuja raiz é rhm, e tem o significado de: útero. Rahamim pode ser traduzida como “vísceras”, “entranhas”, “sentimento de amor”, “compaixão”, “misericórdia”. Em grego o vocábulo miseri + córdia, literalmente significa coração sofredor.
Em muitas ocasiões estamos com o coração dilacerado pela dor e sofrimento que nos faz tanto mal. Não encontramos em nada e em ninguém alivio ou consolo capaz de atenuar nossa tristeza. Somente alguém que conheça muito bem o coração humano é capaz de mudar tais questões em nossa vida.
Deus em seu ato criador determinou a si mesmo que Ele é o grande conhecedor da vida humana e por isso, tem a capacidade de saber melhor que nós mesmos o que somos e sentimos. Nele encontramos a misericórdia suprema e indefinível em termos humanos. O pedido do rei Davi, é ao mesmo tempo um pedido de socorro e lamento por tudo que ele passa naquele momento.
O mesmo vale para todos nós quando estamos perdidos em meio à tempestade de sofrimento. Podemos clamar ao Senhor, pois, ele é misericordioso e amoroso. Quando desesperados pedimos a misericórdia do Senhor estamos pedindo que ele seja solidário e sofra conosco. Porém, muitos de nós desconhecemos que em Jesus Cristo ele levou às últimas conseqüências seu amor e misericórdia.
Quando Ele se move em direção à petição ele não apenas ouve, perdoa, graciosamente nossas faltas e pecados e imediatamente nos abençoa.

 Shalom.

Rev. Jorge Wagner

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O amor de Deus nos atrai

“Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor...” Oséias 11. 4a

            As atribulações da vida cotidiana quantas vezes faz-nos sentir abandonados à própria sorte. É como se estivéssemos sozinhos no mundo, isto, ninguém mais a nossa volta, somente nós e nossa “má sorte”. É claro que o mundo continua cheio de gente e que não estamos sós, mas experimentamos as agruras do abandono.
            O texto do profeta Oséias trás uma linguagem de amor diferente, pois, é ao mesmo tempo paternal e maternal. Deus é pai, mas também é mãe que cuida com ternura seus filhos e suas filhas. Não descuida, não esquece e não se afasta jamais. Ele é presente mesmo quando não percebemos sua presença.
            O cuidado de Deus cura, exorta, determina, anima, dá esperança sem descuidar de nada. Significa que seu cuidado é completo e dinâmico, nem sempre se apresenta da mesma forma.
            O versículo acima, diz que Deus atraía seus filhos com cordas humanas, mas com laços de amor. O amor referido é o amor divino com que Deus trata-nos.
            Certa ocasião quando eu tinha uns 8 anos de idade, minha mãe pediu que eu fosse à padaria comprar uma quantidade significativa de pão para revender em sua venda (Secos e Molhados). Quando cheguei a frete do estabelecimento panificador, percebi que havia perdido o dinheiro. Sentei no meio fio da calçada e desconsoladamente chorava. Um senhor aparentando uns setenta anos, bem vestido, sentou ao meu lado e perguntou por que eu chorava tanto, explique o que acontecera. Ele olhou-me e disse: Isso não é problema. Deu-me a quantia igual a que minha me deu e pude comprar o pão e levar para o pequeno armazém.
            Moral da história: se um desconhecido ouviu a queixa, o pranto de uma criança, Deus pode muito mais que um humano. Seu amor vai além de nossa imaginação, transpõe todos os obstáculos, remove os empecilhos, e cuida conforme a necessidade de cada um.
            As atitudes de Deus são sempre benéficas e amorosas, mas é preciso a contrapartida:  amá-lo com amor sincero e confiar em sua ação.

Oração: Bendito Deus, Pai amoroso que cuida de nós, permite-nos aceitar tuas decisões. Que possamos confiar em Tua sabedoria, e descansar em ti. Ajuda-nos ouvir tua voz ao invés de escutarmos apenas a nós mesmos. Em nome de Jesus, Amém.

domingo, 8 de maio de 2011

Ser mãe é padecer no Paraíso

Eis que conceberas e darás a luz um filho, a que chamarás pelo nome de Jesus” Lucas 1. 31

            Lembro-me minha amada mãe, já falecida, que  dizia-nos constantemente: “Ser mãe é padecer no paraíso”. Sua consideração certamente tinha suas motivações, mas com certeza ela sabia da importância de sua vida a todos nós.
            Comemorar o Dia das Mães de certa forma caiu no lugar comum. Sim, no lugar comum, porque a lembrança do dia na maioria das vezes não corresponde a realidade cotidiana. Alguém já falou que só damos importância quando não temos mais quem amamos. Pela disponibilidade não percebemos a inteireza da importância de uma vida dedicada a outras pessoas, muita vez em detrimento de sua própria existência.
            Ser mãe poder ser considerado um ministério, um sacerdócio de sacrifício e dedicação exclusiva ao bem-estar de filhos e filhas. Servindo com amor e alegria, sem medir esforços, estão sempre disponíveis. É algo difícil de explicar e entender, somente a vivência com mulher-mãe pode dar-nos a idéia de sua vocação divina. Maria ao receber a notícia que iria ser mãe de um menino tão importante à humanidade, certamente não fazia idéia do que seria a maternidade até que experimentasse por si própria.
            Na minha infância eu não conseguia entender o que minha amada mãe queria dizer com aquela frase. Somente muitos anos depois, comecei a perceber a importância de seu ditado. Ser mãe é verdadeiramente padecer no paraíso. Quantas noites de sono são perdidas na vigília noturna cuidando da prole. Outras tantas vezes sofrendo a espera de um filho ou filha que sai e custa a voltar ao lar. Quantas lágrimas derramadas ao ver decisões importantes serem tomadas de forma banal... e ela ali, firme, orando, perseverando pedindo o melhor não para si mesma, mas, para filhos, filhas que na maioria das vezes não entendem sua preocupação dizendo ser excessiva.
            Mãe é heroína não reconhecida no quotidiano. Dia das mães é festa, mas quase sempre é ela própria quem prepara. O dia delas está nas mídias por questão de comércio, para vender mais produtos, quando na verdade basta amá-las de verdade, um abraço, beijo e muito carinho é o suficiente. Mas isso tem que ser todos os dias.
            A todas as mães nossa humilde homenagem. Deus abençoou Maria por carregar no ventre o Salvador da humanidade. Pedimos ao bom Senhor que abençoe nossas mães porque nos carregaram no ventre e nos carrengam na vida sempre nos dando a mão carinhosamente, sem exigir nada em troca, apenas nos amando.

Shalom.

Rev. Jorge Wagner

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Abatidos, porém, nunca vencidos

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a Ele, meu auxilio e Deus meu”. Salmo 43. 5 – Ler o Salmo 43. 1-5.

            Parece que estar aflito, tristonho, sem desesperança ou sem rumo na vida é pecado mortal. Quando as coisas ruins ou negativas acontecem as pessoas que estão a nossa volta querem que tenhamos alegria desmedida pois somos filhos de Deus e não podemos nos encontrar em situações como  estas. Será que ser humano é pecado?
            Nossa preocupação básica nesta reflexão é mostrar que Deus está conosco sempre. Mesmo quando nos encontramos sem perspectiva de vida. É exatamente neste contexto e momento que Ele age nos sustentando em nossas fraquezas humanas.
            O texto mostra que o salmista tem consciência de suas limitações, mas espera em Deus mudanças significativas. Ele se dá o direito de ser simplesmente humano, sem esquecer que Deus age. Sua tristeza não contamina sua consciência de ser criação divina, por isso, pode esperar que o criador mude tudo para melhor.
            Na verdade Deus é tolerante com as fraquezas humanas de modo que Ele revela sempre sua graça na vida das pessoas que o buscam. Ele não nega ajuda, nem se afasta de quem passa por momentos difíceis na sua existência. Ele é longânimo e misericordioso para com todas as pessoas.
            Devemos fazer como o salmista, não desanimar frente aos desafios que a vida nos impõe todos os dias. Esperar em Deus é sabedoria que vem do alto. É perseverar contra as advercidades. Afinal de constas, quando estamos em Deus, podemos ficar abatidos, porém, nunca vencidos.

Se a vida as vagas (vago, ausência)
Procelosas (tempestade) são,
Se com desalento
Julg s tudo vão,
Lembra as muitas bênçãos,
Dize duma vez,
Por verás surpreso
Quanto Deus já fez.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A ressurreição é vida abundante


“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei...” (Mateus 11. 28 - Ler de 28-30)

“Ele não está aqui; ressuscitou...” (Mateus 28. 6a).

            A aflição dos discípulos era mais que evidente. A tristeza, o desânimo a incerteza tomaram conta da vida destas pessoas que acompanharam o mestre durante um bom tempo. Mas, está proximidade não foi suficiente para dar certeza daquilo que Ele havia dito em várias ocasiões. Mas com certeza, muita gente lembrava o seu chamado ao consolo e ao alívio das dores, tristezas, incertezas, aflições etc.
            O que tem a ver o texto de sua ressurreição com o chamado? Certamente, há dúvida sobre a correspondência entre um e outro, no entanto, devemos perceber que em um momento as pessoas recebem as Boas Novas e em outro ficam com as dúvidas. Lembrar de sua ressurreição é não deixa cair no esquecimento sua profunda compaixão pela vida humana.
            Ele assumiu compromisso e lealdade para com a vida, Ele mesmo disse certa vez: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”. Certamente seu jugo que é suave adquire contornos amorosos capazes de transformar o que é mau ou ruim em coisas boas.
            Seu chamado é inevitavelmente para todos sem distinção. Qualquer pessoa que se encaixe na descrição de Mateus 11.28-30, é considerada importante a tal ponto de não delimitar sua ação, esta é para todas as pessoas. Mulheres, homens, jovens, velhos e crianças fazem parte deste grupo chamado a experimentar o jugo suave.
            Em sua ressurreição reafirma sua disposição para servir e não ser servido. Para dar vida sem medir esforços. Para reafirmar a Boa Nova do Reino de Deus: Salvação a todas as pessoas que N’Ele crerem. A contra partida que o ser humano deve é simples: crer e ser submisso a sua vontade.
            Sua ressurreição é nossa garantia de vencer os obstáculos que nos rodeiam. Por isso:

Celebrai a Cristo, celebrai
Celebrai a Cristo, celebrai
Ressuscitou, ressuscitou
Ele vive para sempre
Vamos celebrar, Rei
Vamos celebrar, Ooo
Vamos celebrar ressuscitou meu Senhor
CELEBRAI

FELIZ PÁSCOA

Rev. Jorge Wagner

terça-feira, 19 de abril de 2011

O amor é fruto de um coração entregue a Deus


“Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós. Desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos...” Colossenses 1. 3-4

Estamos convencidos de que amamos de fato nosso irmão ou irmã. Cremos que este amor demanda ações concretas tanto para nossa vida quanto para a vida da igreja. Deus quer uma Igreja que esteja dentro dos parâmetros cristãos determinados por Jesus Cristo e isso significa amar o próximo como Cristo nos amou.

A capacidade do amor do ser humano para com o ser humano só é visível por meio da solidariedade ativa tanto na alegria como no sofrimento. Não há outro caminho que possa mostrar nosso sentimento amoroso para com outrem. Diz o Novo Testamento: “Novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”.    Jo 13. 34-35
 
            No Antigo Testamento no livro de Levíticos 19. 18 – Temos a seguinte afirmativa“... mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR”.  Este antigo mandamento sobre o amor vai ser colocado por Jesus de uma forma mais personalizada:  pois o novo mandamento determina que nos amemos como Ele  nos Amou. O que significa uma entrega sacrifical de nossa vida por alguém.

O amor fraternal deve ser entendido como diferente do sentimento de preferência ou de simpatia. “Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos”.  1 João 3.16.     A menção do termo nisto, especifica o tipo e a qualidade do amor que Jesus Cristo deseja que seja praticado entre nós. É o Amor de entrega, sacrifício e dedicação. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.Jo 3.16
  
            Fica claro que o amor de Deus não é poético, nem filosófico. Amar é atitude prática. Em  João 15.35: também percebemos que a principal característica que nos identifica como discípulos de Jesus no mundo, é o amor que temos uns pelos outros.

As conseqüências da falta de amor fraternal são agravantes negativos das relações humanas. O amor não se origina em nossas vidas como conseqüência de reflexões poéticas ou esforço humano. O Espírito Santo está em nós para comunicar a vida de Cristo e com isso nos capacitar para amar. ”Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos.”. 1 João 2. 11. O amor fraternal não limita uma fronteira, inicia nela e se encaminha em direção a todas as pessoas que nos cercam ou outras que necessitem de amor e cuidado.

Por outro lado, as características do amor são positivas e influentes na vida. O verdadeiro amor é fruto de um coração sincero e purificado – “O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem”. Romanos 12. 9. Se o nosso coração não estiver limpo das mágoas , das tristezas, do espírito de revanche e de tantas outras coisas ruins, o Espírito Santo não fluirá. Neste caso praticamos o amor fingido, uma prática sem vida e realidade.

            O verdadeiro amor é longânimo e perseverante “O amor... tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.  I Co 13. 7. O amor de Deus não é intolerante, que se dissipa facilmente nos momentos de tensões e adversidades. O verdadeiro amor deve zelar pela aliança fraternal e unidade.

O amor não se origina em nossas vidas como conseqüência de reflexões poéticas ou apenas do esforço humano, deve ser a conjugação do amor que Deus inculca em nós e do nosso esforço para mantê-lo atuante. O espírito Santo está em nós para comunicar a vida de Cristo e com isso nos capacita a amar.

O amor aos nossos irmãos prova nossa permanência em Cristo. É o teste que demonstra se estamos na vida do Senhor ou em trevas. O contrário do amor não é necessariamente o ódio, mas o egoísmo que leva ao individualismo. Por isso devemos tomar cuidado como entendemos o significado do amor e o que fazemos com ele.O egoísmo se manifesta por um cuidado excessivo por si mesmo e desinteresse pelos demais.  Quando todo o interesse e esforço de uma pessoa convergem para ela mesma, acaba gerando egocentrismo e egoísmo. Deus não nos mede somente pelas ações exteriores, nem pela operação de nossos dons. Ele avalia a intensidade de esforço e sacrifícios dedicados aos nossos irmãos.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Na tempestade a bênção de Deus


“Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto” Salmo 67. 1

            Acreditamos que são normais termos dias sombrios, nublados, com chuva e termos aqueles em que o Sol astro-rei ilumina a vida. Entretanto, estes dias ensolarados muitas vezes passam despercebidos. Mas... Os dias nublados ou de tormenta forte, deixam marcas profundas em nossa vida. Por outro lado, a gente lembra muito mais destes do que daqueles em que o Sol nos agracia com a abundância de sua luz e calor.
            Qual a utilidade dos tempos difíceis em nossa vida? Para muitas pessoas não há utilidade alguma, para outras tantas, tanto faz, mas, também crêem na inutilidade do sofrimento. Para algumas poucas pessoas, o entendimento do por que do sofrimento se evidencia principalmente porque nos obriga a buscar mais a presença de Deus em nossa vida.
            Nas dificuldades somos testados em nossos limites. Sim é verdade, mas também somos testados em nossa fé. Ter fé nos momentos de alegria, em que tudo dá certo, nos dias ensolarados é fácil, difícil é manter o foco, quando tudo está nublado, chuvoso e com grande tempestade.
            Por isso, se você está tendo tempos mui difíceis, não desanime a medida de Deus é justa e certa. Não te desampara e nem te abandona. Ele é seu companheiro de caminhada, seu sustento em tempos ruins.
            Que a bênção do Salmo 67, seja um bálsamo em sua vida e te anime constantemente. Ela é a expressão do amor divino revelada em Jesus Cristo. Que Deus te dê a paz.

Rev. Jorge Wagner