sábado, 5 de março de 2011

A força do Senhor é nossa alegria

“... ide, comei carnes gordas, tomai bebidas doces e enviai porções aos que não têm nada preparado para si... porque a alegria do Senhor é a vossa força.” Neemias 8. 10.
“... dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e alegria.” At 14. 17b


            Certamente falar de alegria parece ser um tema fácil. No entanto, não o é. A dificuldade está em entendê-la em sua plenitude e na ótica da alegria bíblica. Estar alegre demanda estar interessado na alegria alheia, isto é, não podemos estar alegres se nosso próximo não partilhar também da alegria que nos toma a vida. Quando pensamos em alegria, podemos definir de qual alegria estamos falando: alegria sem sentido, fornecida única e exclusivamente pelo mundo, ou alegria que vem de Deus.

No caso do cristianismo, a alegria brota da proximidade imediata e decisiva do Senhor nosso Deus, para conosco e nossa resposta participando das obras de Deus.

Os textos acima, falam de maneira diferente de um mesmo conteúdo: a alegria. No contexto de Neemias, aparece claramente a Lei, que para alguns poderia ser motivo de tristeza. No entanto, após a leitura feita por Esdras, Neemias afirma categoricamente que a Lei de Deus deve ser alegria de vida. Ela é fonte que emana alegria justa e na medida certa.

            No texto de Atos dos apóstolos, seu contexto mostra os gentios considerando Barnabé como Júpiter e Paulo como Mercúrio. Deuses gregos.  Coisa que Paulo prontamente responde, mostrando um exemplo a respeito de Deus. O que Deus dá ao ser humano, ninguém na terra tem capacidade semelhante ou próxima, somente ele tem poder para tanto.

            No de At dos Apóstolos as palavrasalegrar” e “exultar” de certa forma designam os arrebatamentos de entusiasmo, tumultuosos e em certa medida, frenéticos, que manifestavam os sentimentos de exaltação de um povo voltado para seu Deus ou rei, por ocasião das festas. Mas, alcança forma diferente quando se aplica ao contexto relacional entre Deus e ser humano, mas também, entre Deus, ser humano e outros seres humanos.

            Além disso, trata-se de um verdadeiro ato ritual.  Isaías transporta esta alegria do plano ritual para o escatológico [Do grego eschaton, que significa último. Conforme: GRENZ, Stanley, Dicionário de Teologia. São Paulo, Imprensa da , 2001, p. 48], isto é, os últimos tempos, para os judeus, quando Deus mudará todos os rumos e estabelecer seu reino, ou, no caso cristão, quando no apogeu ou final da história, Jesus Cristo voltar a terra para estabelecer seu reino eterno de justiça.

            A alegria no NT tem um aceno nos Evangelhos quando ela brota cada vez que se torna sensível a proximidade do reino, em todos os pontos culminantes da vida e do ministério de Jesus. Porém, em Atos, também dimensiona a caracterização da comunidade que identificada com Jesus Cristo, torna-se instrumento da ação e da redenção propiciada pelo sofrimento, fortifica a vida dos partícipes da comunidade de fé e do Reino de Deus.

De outro lado, em Atos dos Apóstolos, há alegria similar, mas que a partir da presença do Espírito Santo, dos milagres em nome de Jesus, a pregação aos gentios e sua conversão, consegue congregar não somente as pessoas umas a outras, mas principalmente a vida do redentor. De onde a alegria emana dos corações convertidos e por ocasião do banquete da Ceia do Senhor.

            O texto de Atos versículo 14. 17 - mostra uma situação interessante: Deus dá todas as providências necessárias para a vida, por isso os corações devem se alegrar. Ele jamais falha, é sempre presente e dá vida por seu amor, graça e presença.

            Este é o testemunho dos apóstolos. Mostra a convicção de que Deus está sempre conosco nos alegrando. Não importam as situações ou circunstâncias, ele é conosco. A alegria que dele emana, não é igual a do mundo, mas verdadeira, animadora e esperançosa. Ela caracteriza a comunhão do Corpo de Cristo, onde a alegria de um deve se das demais pessoas. Manifesta-se mutuamente a partir da incessante ação de Deus por meio de sua igreja numa relação entre criador e criatura criada. Desta maneira, todo o progresso na confirma a alegria.

            Não nos esquecemos de pensar a respeito dos momentos tristes, de abatimento ou de angústia. Ao contrário, é nestes momentos que atingimos o caráter supremo da alegria, embora paradoxal (contraditória), o Novo Testamento firma posição clara a respeito da alegria nas aflições. Sejam nos padecimentos de Cristo, seu martírio ou nossas lutas no dia-a-dia, Deus ainda é conosco. Sua alegria é nossa força. Em Cristo somos um povo alegre, pois sabemos a razão de nossa fé, e, a respeito do nosso Salvador.

Rev. Jorge Wagner


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