terça-feira, 15 de março de 2011

Família assunto de nossa meditação

           Quando falamos a respeito de família via de regra empregamos alguns conceitos. O Dicionário Aurélio, entre outras, apresenta as seguintes definições de família: - “pessoas aparentadas que vivem, em geral, na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos”;
- “pessoas do mesmo sangue”; - “ascendência, linhagem, estirpe”;
No significado sociológico, temos: “comunidade constituída por um homem e uma mulher, unidos por laço matrimonial, e pelos filos dessa união”.
No entanto, para nós cristãos, ficam algumas indagações: o que é família? Quem faz parte da família? O que queremos para a família?
O Novo Testamento não discute o tema família de uma forma direta, mas encontramos a família presente em vários momentos da história do povo. Jesus em seu ministério, valorizou muito a família. Mas ele não ficou somente na teoria da exaltação de princípios. Ele andou de casa em casa (Mc5. 38; Lc 19. 5), numa clara demonstração de que a família era importante para a nova sociedade por Ele proposta.
      O termo grego oikos (oikos) ocorre cerca de 110 vezes no NT e significa “casa”, a “família”, “pertencentes” (incluindo escravos), “bens”. Na época de Jesus não existia a unidade dentro dos clãs, e as famílias viviam de uma forma individualizada, cada uma cuidando dos seus problemas e atendendo suas necessidades.  A quantidade de repetições mostra a importância da família para o/a cristão/ã.
Jesus, em seu ministério, freqüentou três lugares básicos da sociedade judaica da época: a) a portaera lugar de entrada e saída das cidades e aldeias e, portanto, onde o povo costumava encontrar-se- podemos chamar de vida pública; b) a sinagogalugar de oração, estudos e reuniões do povo – pode-se chamar de oração pública; c) a casalugar onde aconteciam a vida privada e a oração privada.  Destes três centros, a casa foi a mais freqüentada por Jesus e onde ele realizou alguns de seus principais sinais. a) A casa onde era celebrado um casamento – transformou água em vinho (Jo 2. 1-12); b) na casa de Zaqueu, anunciou a salvação e houve conversão (Lc 19. 1-10); c) na casa do chefe da Sinagoga – fez sinal de cura (Mc 2. 13-14).
Para falar de Deus, usou palavras de contexto familiar: a) Quando se dirigiu a Deus, usou a expressão Abba, que era termo usado pelas crianças para chamarem seu pai (papai, papaizinho, cf: Mc 14. 36; Mt 6. 9); b) Para expressar o amor de Deus Pai para com seus filhos e filhas, conta a “parábola do filho pródigo” (Lc 15. 11-32).
Todo este contexto quer mostrar que a família tem grande importância para a vida social. Ela é o ponto de partida para toda a ação que constrói a sociedade.  Por isso Jesus dá uma nova dimensão à família – esta nova dimensão se dá a partir do oikos (casa). A família é uma comunidade no total. Não se trata de uma união qualquer. Esta comunidade (família) deve se assentar em dois princípios fundamentais: vida e amor. Não se trata apenas de pessoas vivendo sobre o mesmo teto. Mas de todos quantos vivem juntos passando a serem sustentáculo e articulação da vida individual e coletiva dos partícipes.
A família que Jesus queria (quer) é aquela que a pesar dos problemas, procura viver conforme os princípios de vida e de amor. Quer seja por laços de parentesco ou por laços de afinidade. Está percepção que o mestre dá para a família, continua válida para nossos dias e deve ser motivo de nossa ocupação diária.

* Pequeno estudo para nossa reflexão
Rev. Jorge Wagner

Bibliografia

GUIMARÃES, Almir Ribeiro. Quando o assunto é família: a perene atualidade do tema da família. Petrópolis, Vozes, 1993.
LAZIE, Josué Adam. Família. Estudos Bíblicos Pastorais, Belo Horizonte, 1999.
Em Marcha. Igreja/família: planejamento, testemunho e missão.São Paulo, Imprensa Metodista, 1998.

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